O vídeo do terremoto no Panamá visto por 23 milhões de pessoas: o que fazer se um tremor te pegar na montanha, em casa ou na rua
Quatro amigos filmaram o momento em que um forte tremor os surpreendeu no meio da montanha. Todos voltaram para casa sãos e salvos, mas o vídeo deixou uma pergunta em milhões de pessoas: eu saberia o que fazer? Explicamos passo a passo.
Foto: Wikimedia Commons · CC0
O que começou como um passeio entre amigos virou um dos vídeos mais vistos da semana na América Latina. Quatro jovens caminhavam por uma montanha no Panamá quando um terremoto de grande magnitude os surpreendeu cercados de mato e pedras. Os próprios celulares registraram a tensão: o chão se mexendo, o barulho das rochas, as vozes perguntando o que fazer. O primeiro vídeo passou de 23 milhões de visualizações e, minutos depois, os protagonistas publicaram uma atualização para tranquilizar todo mundo: voltaram para casa sãos e salvos.
O vídeo emocionou porque qualquer um poderia estar ali. E deixou uma pergunta em milhões de pessoas: se um tremor me pegar fora de casa, eu saberia me proteger? Boa parte da América Latina fica sobre o Círculo de Fogo do Pacífico, uma das regiões sísmicas mais ativas do planeta. No Brasil os terremotos fortes são raros, mas quem viaja pela região, ou vive em Portugal, onde já houve grandes sismos, também deve saber como agir. Reunimos as recomendações da defesa civil e de órgãos internacionais para cada situação.
Se você estiver na montanha ou no campo
Em terreno montanhoso, o maior perigo costuma não ser o tremor em si, e sim o que cai: pedras, árvores e deslizamentos de terra.
- Afaste-se de encostas íngremes, penhascos e beiras de barrancos. Procure uma área o mais aberta e plana possível.
- Proteja a cabeça e o pescoço com os braços ou a mochila e abaixe-se para não perder o equilíbrio.
- Não desça correndo enquanto o chão se mexe: é fácil tropeçar e cair.
- Depois do tremor, avalie o caminho de volta. Pode haver rachaduras, pedras soltas ou trilhas bloqueadas. As réplicas podem provocar novos deslizamentos.
- Se estiver perto de um rio, afaste-se do leito: deslizamentos podem represar a água e causar enchentes repentinas.
- Avise sua família com uma mensagem curta; as ligações costumam congestionar.
Se você estiver em casa ou num prédio
A recomendação internacional se resume em três palavras: abaixe-se, proteja-se e segure-se.
- Abaixe-se apoiando mãos e joelhos no chão para o movimento não te derrubar.
- Proteja a cabeça e o pescoço, de preferência embaixo de uma mesa resistente. Se não houver, junto a uma parede interna, longe de janelas.
- Segure-se no móvel até o tremor acabar.
Não saia correndo durante o movimento: muitas lesões acontecem ao descer escadas ou ao ser atingido por vidros e fachadas na saída. Também não use o elevador. O mito de "ficar embaixo do batente da porta" vem de casas antigas de adobe; nas construções modernas, não é mais seguro que outros lugares e ainda expõe você a pancadas da porta.
Se você estiver na rua ou dirigindo
- Afaste-se de prédios, postes, fios elétricos, árvores e placas.
- Se estiver dirigindo, reduza a velocidade, pare num lugar seguro longe de pontes e viadutos e fique dentro do carro com o cinto até passar.
- Se estiver na praia e o tremor for forte ou longo (mais de uns 20 segundos, difícil de ficar em pé), vá imediatamente para áreas altas: não espere o alerta oficial de tsunami.
Depois do tremor: os primeiros 30 minutos
- Veja se você ou alguém por perto está ferido. Aplique primeiros socorros básicos.
- Se sentir cheiro de gás, não acenda luzes nem fósforos; abra portas e janelas e saia.
- Use sapatos fechados: vidro quebrado é uma causa frequente de ferimentos.
- Ouça o rádio ou siga os perfis oficiais da defesa civil. Desconfie de áudios de WhatsApp que "anunciam" um tremor maior em determinado horário: terremotos não podem ser previstos, e essas mensagens são sempre falsas.
- Prepare-se para as réplicas, que podem durar dias.
A mochila de emergência: o mínimo indispensável
Deixá-la pronta faz diferença nas primeiras 72 horas. Inclua água (pelo menos 2 litros por pessoa), alimentos não perecíveis, lanterna, rádio a pilha, kit de primeiros socorros, remédios de uso contínuo, cópias de documentos, carregador portátil, apito, dinheiro e uma muda de roupa. Revise o conteúdo a cada seis meses.
Um plano familiar em 15 minutos
Sentem-se numa tarde e combinem três coisas: um ponto de encontro fora de casa, um contato em outra cidade que todos vão avisar e quem busca as crianças se a comunicação falhar. Identifiquem os lugares seguros de cada cômodo e onde se desliga o gás, a água e a luz. Treinar uma vez por ano reduz o pânico quando acontece de verdade.
O que o vídeo nos ensinou
Os quatro amigos do Panamá fizeram algo muito valioso no fim: avisaram rapidamente que estavam bem. No meio da angústia, uma atualização clara evita boatos e tranquiliza quem espera notícias. Compartilhar informação checada, e não correntes alarmistas, também é uma forma de ajudar depois de um tremor.
Sua família tem um plano? Compartilhe este artigo com ela: pode ser a conversa mais importante da semana.
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta com um profissional de saúde. Aviso médico





